
A manhã desta segunda-feira foi marcada por uma combinação explosiva de aversão ao risco nos mercados globais e um novo capítulo de desgaste político do governo Lula no Congresso. O petróleo Brent despencou para abaixo dos US$ 88, enquanto o real se desvalorizou e a bolsa brasileira recuou, em um movimento de realocação de recursos que penaliza países com contas públicas frágeis e credibilidade fiscal em xeque.
Enquanto Wall Street respirava com a perspectiva de um cessar-fogo no Oriente Médio, o Brasil assistia a mais um round da queda de braço entre o Planalto e os parlamentares, com o rombo fiscal e a trajetória explosiva da dívida pública roubando a cena. O cenário, como sempre, é de contrastes: a economia real mostra um mercado de trabalho aquecido, mas o custo do dinheiro (Selic a 15%) sufoca o consumo e expõe a fragilidade de um modelo baseado em gasto público e intervencionismo.
📈 Economia
A economia brasileira deu sinais mistos: o mercado de trabalho bateu recorde, mas o custo de vida e o endividamento seguem corroendo o poder de compra. O Ipea revisou para baixo o PIB de 2026, enquanto a dívida pública ultrapassou os 78% do PIB, um sintoma claro de que o remédio amargo dos juros altos só não é pior que a doença do descontrole fiscal.
- PIB desacelera e inflação teima em ficar acima da meta — O Ipea manteve a projeção de crescimento de 2,4% para 2025, mas reduziu a de 2026 para apenas 1,8%, citando a Selic alta “por mais tempo”. Enquanto isso, a inflação esperada para 2025 (IPCA) convergiu para cerca de 5,2%, bem acima do centro da meta — um atestado de que a política de juros do Banco Central, embora necessária, não está sendo suficiente para conter os preços, muito por culpa da gastança do governo.
- Desemprego em mínima histórica, mas brasileiro não sente a melhora — O desemprego caiu para 5,6% na média anual de 2025, o menor nível da série. No entanto, o endividamento recorde e a inflação acumulada corroem o salário. O PIB cresceu 2,3% no ano passado, mas a sensação de crise é generalizada. É o paradoxo Lula: o governo anuncia recordes, e o cidadão comum pergunta “cadê o dinheiro?”.
- Rombo fiscal com recorde de impostos: o Estado comeu a sua parte — Mesmo com a carga tributária atingindo 34,2% do PIB em 2024 (um recorde histórico), o governo fechou 2025 com um déficit de R$ 30,2 bilhões. A dívida bruta já é de 78,7% do PIB (cerca de R$ 10 trilhões) e, segundo o Tesouro, pode chegar a 83,6% do PIB até o fim de 2026. É a matemática do PT: quanto mais dinheiro tira do contribuinte, mais gasta e mais dívida acumula.
🏛️ Política
O governo Lula sofreu uma segunda-feira de ressaca política. As derrotas acumuladas no Congresso na última semana expuseram a fragilidade articulação do Planalto, que perdeu votos importantes e viu sua base rachar em temas sensíveis. A relação com o Legislativo nunca esteve tão desgastada, e o custo para aprovar pautas estratégicas será cada vez mais alto — em emendas, cargos e, no fim, dinheiro do contribuinte.
- Derrota histórica no Senado: indicado de Lula ao STF é rejeitado — O Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal por 42 votos a 34. Foi a primeira vez que um indicado de um presidente da República é barrado no plenário desde a redemocratização. A derrota expõe a completa falta de tração do governo no Senado e abre uma crise de credibilidade que pode travar nomeações futuras.
- Veto de Lula sobre dosimetria de penas é derrubado pelo Congresso — Em menos de 24 horas, o governo perdeu duas votações. O Congresso derrubou o veto integral de Lula ao projeto de lei da dosimetria das penas para crimes de tentativa de golpe. O PT já articula recorrer ao STF, mas o recado das duas Casas foi claro: o Planalto não dita mais as regras.
- Disputa pela CPI do Banco Master esquenta: PT e PL trocam acusações — A possibilidade de uma CPI ou CPMI para investigar o Banco Master, pivô de um escândalo de fraudes financeiras e financiamento político, divide Congresso e governo. A base governista, antes avessa à investigação, agora tenta surfar a onda e assumir o controle da narrativa. O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta, já declarou que não pode haver “acordão para abafar as investigações”.
₿ Criptomoedas
O mercado cripto respirou aliviado com a perspectiva de um cessar-fogo no Oriente Médio, que reduziu o prêmio de risco e trouxe de volta o apetite por ativos voláteis. O Bitcoin rompeu a barreira dos US$ 65 mil, impulsionado por entradas em ETFs e pelo otimismo com um possível acordo entre EUA e Irã.
- Bitcoin (BTC) acima de US$ 65 mil: acordo de paz e ETFs no comando — O BTC voltou a operar na faixa dos US$ 65 mil, impulsionado por notícias de que as negociações entre Washington e Teerã avançam. Os ETFs de Bitcoin já acumulam US$ 2 trilhões em volume negociado — um recorde absoluto. O movimento mostra que, mesmo com saídas recentes, o mercado amadureceu e segue como uma classe de ativos relevante.
- Projeto de Lei no Brasil quer endurecer regras para exchanges — Um novo PL em tramitação no Congresso pretende exigir requisitos mais rigorosos de governança e compliance para exchanges de criptomoedas operarem no país. A proposta, se aprovada, pode trazer mais segurança jurídica, mas também corre o risco de engessar um setor que, até agora, inovou justamente por estar fora do alcance da burocracia estatal.
- Stablecoins e tokenização roubam a atenção dos assessores financeiros — Uma pesquisa da gestora Bitwise revelou que stablecoins e tokens de ativos reais (tokenização) estão atraindo mais atenção de assessores financeiros do que o próprio Bitcoin. O movimento indica que o mercado está migrando para instrumentos com menor volatilidade e maior aderência regulatória, sinal de maturidade, mas também de que a “febre” do BTC puro pode estar dando lugar a aplicações mais pragmáticas.
⚔️ Conflitos e Geopolítica
A semana começou com sinais de uma trégua no front mais quente do planeta. O anúncio de negociações entre EUA e Irã para um possível cessar-fogo radicalizou o movimento de queda do petróleo e trouxe alívio aos mercados, mas ainda há muito chão pela frente. Enquanto isso, a guerra na Ucrânia segue seu curso letárgico e a tensão no Estreito de Taiwan não dá sinais de arrefecimento.
- EUA e Irã negociam acordo; petróleo despenca e Israel recua no Líbano — A perspectiva de um acordo entre americanos e iranianos, que prevê cessar-fogo em “todas as frentes” e reabertura do Estreito de Ormuz, derrubou o Brent para abaixo dos US$ 88 o barril. Israel, por sua vez, sinalizou que pode reduzir a pressão no sul do Líbano. Ainda é cedo para comemorar, mas o mercado já precifica uma paz possível.
- Rússia ataca Kiev com mísseis hipersônicos; Polônia mobiliza caças — Mesmo com as negociações no Oriente Médio avançando, a guerra na Ucrânia não dá trégua. A Rússia lançou uma nova leva de ataques com mísseis de cruzeiro e balísticos contra Kiev, enquanto a Polônia, temerosa de uma escalada, mobilizou sua aviação. A guerra já é a mais longa da Europa desde 1945, e as chances de um acordo de paz seguem remotas.
- China volta a pressionar Taiwan com exercícios militares e ameaças — Pequim intensificou a retórica e os exercícios militares em torno de Taiwan, com mais de 50 aviões sobrevoando a região em menos de 48 horas. O governo chinês prometeu “esmagar” qualquer interferência externa, enquanto os EUA e o Japão reforçam alianças. O risco de um conflito no Pacífico permanece o maior fator de incerteza para as cadeias globais de semicondutores e tecnologia.
🤖 Mercado de IA
A corrida por modelos de inteligência artificial que entendam o mundo físico, e não apenas o digital, dominou as manchetes do setor nesta manhã. Enquanto OpenAI e Google brigam pela liderança em modelos mundiais, a Anthropic lançou novos modelos de fronteira e uma startup de infraestrutura de IA captou mais de US$ 100 milhões. O setor privado segue inovando em ritmo alucinante, enquanto a burocracia estatal tenta, sem sucesso, colocar rédeas no avanço.
- OpenAI, Google e rivais apostam em ‘modelos mundiais’ para a próxima fronteira da IA — A nova aposta das big techs são sistemas que ensinam máquinas a simular a dinâmica do mundo real. A Google DeepMind apresentou o DiffusionGemma, modelo de geração de texto 4x mais rápido, enquanto a OpenAI lançou novas capacidades para o GPT-Rosalind. A briga agora é para saber quem vai conseguir criar uma IA que não apenas converse, mas que entenda física, causa e efeito — uma mudança de paradigma que pode revolucionar a robótica.
- Anthropic lança Claude Fable 5, descrito como modelo mais inteligente do mercado — A Anthropic não ficou para trás e apresentou o Claude Fable 5, tido como o modelo mais inteligente disponível publicamente. O salto em benchmarks é relevante, mas o custo por consulta também subiu, o que acirra a competição por clientes corporativos que avaliam o custo-benefício. O mercado de LLMs está ficando caro e complexo, e só quem tem capital (e paciência) para testar modelos vai sair na frente.
- OpenRouter capta US$ 113 milhões e atinge valuation de US$ 1,3 bilhão — A startup, que agrega e roteia acesso a centenas de modelos de IA, recebeu um aporte de investidores como Alphabet e Nvidia. A rodada, a maior do gênero no ano, sinaliza que o mercado está apostando na infraestrutura de orquestração de IA, e não apenas nos grandes modelos. Para o usuário final, isso pode significar acesso mais barato e inteligente a múltiplas IAs.
🛢️ Commodities — Petróleo, Ouro e Grãos
Foi um dia de correção generalizada nas commodities. O petróleo despencou com o acordo EUA-Irã, o ouro e a prata também caíram com a redução do risco geopolítico, e os grãos continuaram pressionados pela oferta global abundante. O Brasil, grande exportador, sente o impacto nas cotações, mas pode ganhar em volume.
- Petróleo Brent: abaixo dos US$ 88 o barril com otimismo de acordo — O Brent tombou cerca de 6% na semana, atingindo US$ 87,33, o menor nível desde o início de março. A queda é atribuída à expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz e à normalização dos fluxos de petróleo no Golfo Pérsico. Para o Brasil, petroleira, é má notícia no curto prazo, mas a redução do prêmio de risco traz alívio para a inflação de combustíveis.
- Ouro e prata despencam com fuga de ativos de refúgio — O ouro à vista caiu 7,8%, e a prata recuou 8,3%, em um movimento de liquidação generalizada. Com a perspectiva de paz, os investidores estão saindo dos metais preciosos e migrando para ativos de risco. É o fim do “flight to quality” que durou meses. Quem comprou ouro no pico, agora amarga prejuízo.
- Grãos: soja, milho e trigo em queda com oferta global abundante — O trigo em Chicago recuou pressionado pela ampla disponibilidade de oferta, enquanto milho e soja também caíram. O Brasil, apesar do recorde de exportações de soja e milho em maio, vê as margens comprimidas. A competição com EUA, Argentina e Ucrânia está mais acirrada do que nunca, e os preços internacionais não ajudam.
📌 Escândalos
A pauta de investigações segue quente, com a Polícia Federal apertando o cerco contra desvios de dinheiro público e o Congresso tentando emplacar novas CPIs. O governo Lula, que prometeu moralidade, vê sua base rachar e o noticiário ser dominado por casos de corrupção que miram desde o SUS até as emendas parlamentares.
- PF mira desvio de R$ 1,7 bilhão em verbas do SUS no Pará — A Polícia Federal deflagrou uma operação com 150 agentes para investigar fraudes em licitações e pagamento de propinas que desviaram cerca de R$ 1,7 bilhão de recursos do SUS no Pará. Empresas de fachada, laranjas e offshore em paraísos fiscais estão no centro do esquema. A Justiça autorizou o sequestro de bens no mesmo valor. É dinheiro que deveria ir para hospitais e foi parar no bolso de criminosos.
- Operação Vassalos: PF investiga desvio de emendas parlamentares com ex-senador Fernando Bezerra Coelho — A operação mira uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações e desviar recursos de emendas parlamentares. Entre os alvos estão o ex-senador Fernando Bezerra Coelho e seus filhos, incluindo o deputado federal Fernando Filho. O caso expõe como o dinheiro das emendas, que deveria atender a população, é desviado por esquemas complexos de lavagem.
- Disputa pela CPI do Banco Master: PF já investiga fraudes financeiras e financiamento ilegal — O Banco Master, pivô do escândalo, está no centro de uma disputa política. Há oito pedidos diferentes de CPI/CPMI sobre o tema, e tanto PT quanto PL querem o protagonismo da investigação. Enquanto isso, a PF já encontrou indícios de fraudes financeiras e possível financiamento ilegal de políticos.
💪 Saúde, Esporte e Bem-estar
Cuidar do corpo é o único investimento que oferece retorno garantido — e com juros compostos. Enquanto o governo gasta mal o seu dinheiro, você pode gastar bem o seu tempo e energia em hábitos que, ao contrário da economia brasileira, não geram déficit.
Duas pesquisas científicas recentes dominaram a pauta de saúde nesta manhã: uma mostrou que o horário de dormir irregular pode ser tão nocivo quanto o sedentarismo, e outra revelou que o mercado de academias no Brasil ainda tem um enorme potencial de crescimento, indicando que o brasileiro está começando a levar a saúde a sério — mesmo que o governo não leve as contas públicas.
- Horário de dormir irregular e o risco de apneia e hipertensão — Um estudo recente apontou que grandes variações no horário de dormir entre dias de semana e fins de semana elevam o risco de apneia do sono e hipertensão, mesmo em pessoas jovens. Dica prática: estabeleça um horário fixo para dormir e acordar, inclusive nos finais de semana. Esse simples hábito regula o relógio biológico e reduz o estresse cardiovascular — de graça e sem burocracia.
- ‘Mentalidade da longevidade’: atividade física, sono e alimentação balanceada como tripé da saúde — Pequenas mudanças consistentes — como caminhar 30 minutos por dia e reduzir o consumo de ultraprocessados — têm impacto cumulativo na expectativa de vida saudável. Não é preciso ser atleta de alta performance; a constância importa mais que a intensidade. O corpo humano não precisa de milagre, precisa de disciplina.
- Brasil subexplora academias: bem-estar é o novo ouro — Com o mercado global de wellness movimentando US$ 2 trilhões por ano, o Brasil ainda tem uma das menores taxas de penetração de academias do mundo. Isso significa que quem começar agora a se exercitar regularmente estará na frente, não só em saúde, mas também na economia pessoal, já que a prevenção custa uma fração do tratamento de doenças crônicas.
Tudo isso de graça, sem plano de saúde, sem remédio caro. Qual dessas mudanças você começa hoje?
🔍 O que Observar nas Próximas 12 Horas
O resto da segunda-feira promete emoção nos mercados e no noticiário político. Com base no que já vimos, estes são os três pontos que exigem atenção redobrada:
- Pregão em Wall Street e o movimento do petróleo — O mercado americano abrirá com a expectativa de mais notícias sobre o acordo EUA-Irã. Qualquer sinal de que as negociações podem fracassar fará o petróleo disparar de volta, derrubando as bolsas e aumentando a pressão inflacionária global. Fique de olho no barril do Brent às 18h.
- Reação do Congresso à derrota de Lula no Senado — A rejeição de Jorge Messias ao STF não será digerida facilmente. O governo pode tentar uma nova indicação nos próximos dias, mas a crise de articulação política pode se aprofundar. Acompanhe as possíveis movimentações do Centrão, que deve cobrar caro pelo apoio em pautas futuras.
- Decisão do Copom sobre a taxa Selic — A reunião do Comitê de Política Monetária começa hoje e promete ser das mais tensas dos últimos anos. Com a inflação teimando em ficar alta e o PIB desacelerando, o mercado aposta em uma nova manutenção dos juros em 15%. Qualquer sinal de corte ou sinalização de queda trará alívio imediato para o Ibovespa e o dólar.
Gostou do Resumo Manhã?
Compartilhe com quem precisa estar bem informado.
O próximo resumo sai no período da Noite (às 00h) — volte para conferir.
Deixe seu comentário abaixo — sua opinião importa.



